Normalmente, no Dia das Mães a gente fica pensando se vai para restaurante e se irrita com a espera, se almoça na casa da mãe ou da sogra, se reúne todo mundo na casa de um irmão, enfim, mil combinações.
No entanto, neste Dia das Mães, não tenho escolhas a fazer. Estarei no hospital e, espero, lúcida, sem dores e sem útero. Com todos do lado da minha cama. Um almoço regado a remédio e a comida, meio insossa decerto...
Eu poderia ter pedido para adiar por uns dias a cirurgia, fazê-la durante a semana, por exemplo. Não atrapalharia a comemoração do Dia das Mães da minha família. E aqui peço desculpas à minha mãe, ao meu irmão e a minha irmã. Mas, cheguei em um ponto de querer a cirurgia, entendem ? Não que isso signifique que não tenha medos. Longe disso. Mas, cansei. Dos remédios, do inchaço, do útero de tamanho equivalente a uma gravidez de 4-5 meses, das hemoglobinas oscilantes. Chegou. Já deu o que tinha que dar. Talvez seja esse mesmo o processo de uma operação: negação, conformismo, aceitação.
E isso porque estou falando de um problema simples, totalmente curável. Fico imaginando as mulheres que não têm filhos (e os queriam), mas que receberam um diagnóstico igual ao meu. Fico pensando nos tantos filhos que também estarão no hospital com suas mães, mas porque elas sofrem com câncer, aneurisma, derrame... Então, embora nos últimos tempos esse blog esteja semelhante a um muro de lamentações, tenho noção de quão felizarda eu sou. Vou lá, retiram meu útero e, voilà, vida normal. Quem poderia querer mais ?