Laços de Família - Parte 2
Eu e meus irmãos sempre brincamos com o ‘ranking’ dos netos prediletos. Em abril, em um dia de semana, almocei com a minha vó, lá na casa dela, por causa do seu aniversário. Fui direto pro topo do ranking. Sem pit stop. Assim, como subi vertiginosamente, já devo estar meio no fim do ranking... Não basta subir, há de conseguir se manter no topo...No domingo, aproveitei para, também, encher a paciência da minha vó.
-Então, vó, quem é o neto predileto ?
-Não tem preferido, não. Às vezes, tem um que telefona mais que o outro, né ?
-Viu, vó ? Sabia que tinha que ter um. Certamente, não sou eu...
-É. Você ia lá em casa sempre, quando morávamos perto. Depois, parou. Telefona pouco, também...
É verdade. Houve uma época, eu já adulta, em que meus avós moravam a uns quarteirões de casa. Ia visitá-los a pé. Depois mudaram para longe. Deixei de ir. Tenho carro, horários flexíveis. Só não tenho desculpas para não ir... De novo, faço um mea-culpa. Engraçado. Não lembro de ter passado fins de semana na casa da minha vó, quando criança. Só eu. Sem pai nem mãe. Não sei bem o porquê. Morávamos longe. Minha mãe trabalhava, minha vó também. Havia almoços aos domingos na casa dela. Todos os filhos e netos. Isso eu lembro. Mas, ficava nisso. Ela e o resto das mulheres adultas ficavam na cozinha, preparando o almoço. Nós, as crianças, ficávamos brincando pela casa. Brincávamos de trabalhar de escritório com as coisas do meu vó. Mexíamos nas bijuterias e nas roupas da minha vó... Minha tia inventava brincadeiras... Mas, não me lembro de haver muita interação vó-neta. Havia, também, os encontros em aniversários. Depois, mudamos para Recife e as comemorações eram feitas por telefone. Ou quando vinhamos de férias para São Paulo... Sei lá... Acho que, em algum momento, faltou a proximidade que vejo hoje entre as minhas filhas e a minha mãe. Não é falta de amor, não. Disso tenho certeza. Creio que há um pouco de falta de intimidade, talvez. Garçon, um pouco mais de análise, por favor !