Fim de semana passado, no interior, no sítio do meu cunhado. Lá pelas tantas, no meio da tarde, estávamos na varanda, com barriga cheia de churrasco. Aí apareceu um bípede, ciscando.
Mico 1:
Olhei pro sobrinho de 1 aninho e disse:
-"Olha, lá, Enzo. A galinha. Chama, que ela vem"
-"É um galo !", gentilmente, me corrigiram.
Como é que eu ia saber ? Sou urbana, né ? Parece tudo igual. Pena, dois pés (patas ?)...
Mico 2:
Ainda na varanda. Minha cunhada apareceu perguntando quem sabia a receita de bolinho de chuva (não estava chovendo). Ninguém sabia de cor. Alguém ligou para alguém e conseguiu a receita (e viva o celular). Lá foi a cunhada para a cozinha preparar o quitute. Daqui a pouco, volta ela, toda desiludida:
-"Não tem ovos. Não vai dar para fazer!" - reclamou ela
-"Vai no galinheiro e pega, ué !" - disse eu, brincando
-"Já fui. Não tem nenhum ovo ! As galinhas estão pondo no meio do canavial. Alguém quer ir procurar os ovos lá?"
Ninguém se prontificou. E ficamos sem os bolinhos. E eu, que, ingenuamente, achei que estava fazendo uma piadinha... Well, estando em um sítio, foi como se eu dissesse para alguém, na cidade: 'Pega na geladeira'. Ou seja, óbvio ululante. Sítio='ovos no galinheiro' / Cidade='ovos na geladeira' / Sítio='Alguém quer ir procurar os ovos lá no canavial ?' / Cidade='Alguém quer ir comprar ovos no mercado ?' Vivendo e aprendendo.

E agora lembrei do meu pai. Ele vivia me testando:
-"Kátia, e a melancia ? Nasce como ?"
-"Na árvore ?", eu, insegura
-"Não, filha !", ele me ensinava, rindo, 'No chão!"
-"E o limão ?"
-"Na árvore ?", eu, meio relutante
-"Isso. Em uma árvore pequena, o limoeiro."
-"Última. E a jaca ?"
-"Fácil. Igual à melancia. Pesada. No chão.", respondia segura
-"Não, não. Na árvore, Kátia. Você não tem jeito...", e ria, ria.
E ele adorava essa brincadeira. Se divirtia. Posso ouvir as risadas dele. Minha mãe deve lembrar, porque ela também conhecia tudo e ria junto. Já, eu... Desastre. E, o pior, é que eu não fazia tipo, não. Eu, de fato, tinha/tenho a maior dificuldade de saber o que nascia aonde ou identificar qual árvore dá o quê.
Eu, até que tento, dar uma de entendida do assunto. Às vezes, na estrada, através do vidro do carro, eu mostro pro marido:
-"Olha, acho que aquelas árvores são café, né ?"
-"Não, Ká. É um laranjal.", ele responde, mal virando a cabeça para ver as ditas cujas
-"Ah! O carro em movimento me confundiu um pouco...", argumento, já querendo sumir
Por isso, acho, tenho a maior admiração para aqueles que olham para a árvore e já identificam qual o tipo. Meu irmão sabe até o nome científico. Meu marido, vira e mexe:
-"Olha, que goiabeira bonita !"
-"Como você sabe ?", eu olho e não vejo goiaba nenhuma (obviamente, a única maneira de se identificar a árvore).
-"Pelas folhas. Pelo jeito. Pelo formato. Pelo cheiro."
Fico boquiaberta. Admiro messsssmo.