Para o meu pai
Pai, eu sempre te dava livros de presente, né ? Era mais fácil de acertar. Também te dei camisa, pijama, caneta... Mas, eu acho que o que você mais gostava era de livro mesmo. Então, eu já nem tinha mais o que decidir. Ano após ano, eu ia na livraria e resolvia. Prático. Ultimamente, não tenho que te dar mais nada, não...
A gente sempre conversava sobre os livros lidos, né? Lembra quando eu pegava livro emprestado e você sempre ficava me perguntando quando que eu ia devolver ? Ciumento... Mas, olha, eu continuo lendo, viu ? Não tanto quanto eu gostaria, mas estou sempre tentando. O último que eu li foi 'O Escafandro e a Borboleta', de Jean-Dominique Bauby. Fizeram um filme, também. Ainda não assisti. Pai, imagina, o cara é redator-chefe de uma revista francesa famosa. Super in. De repente, tem um AVC e fica em coma. Quando retorna, ele não consegue fazer nada: comer, falar, mexer. Nada. Seu único contato com o mundo é através do olho esquerdo. História verídica ! Com esse olho ele dita, quer dizer, ele pisca, todo o livro! Uma vez para dizer sim, duas vezes para dizer não, às letras do alfabeto que lhe são apresentadas. Vale a pena a leitura. Também terminei de ler, para as meninas, em paralelo, 'O Menino no Espelho', do Sabino. Elas adoraram! Falando nisso, lembrei de um outro livro, 'O Menino de Pijama Listrado', de John Boyne. Comprei para ler para as meninas, porque a história é contada por um menino. Mas, não deu para continuar. É sobre a infância dele, na época do nazismo. O pai era um alto oficial e eles moravam em uma casa em frente a um campo de concentração. Achei muito forte para elas. Reclamaram da interrupção da leitura. Mas, realmente não dava. Li até o final, só para mim mesma. E conforme as últimas páginas iam chegando, eu ficava querendo que o que eu achava que iria acontecer não acontecesse. Só lendo mesmo. Triste, mas bonito. Ah! Teve também o bestseller 'O Caçador de Pipas', de Khaled Hosseini. Outro livro bonito e triste. Fizeram um filme. Mas, eu não quero assistir, não. Prefiro ficar só no livro mesmo. Lembrei ainda do 'A Menina que Roubava Livros', de Markus Zusak. Esse é escrito de forma diferente. O narrador é A Morte. Difícil se acostumar, no começo, mas, passado esse estranhamento inicial, a leitura flui. Também na época do nazismo. Cativante. Teve, ainda, 'A Elegância do Ouriço'. Já falei dele aqui. E tem tantos outros que eu ainda quero ler... Devo isso a você, não ? Saudades, pai.